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    Fisioterapia

    Tratamento de distúrbios do aparelho locomotor

  • Nos últimos anos a preocupação em melhorar o cuidado pós-operatório dos pacientes animais tem sido cada vez maior, resultando numa resposta com grande evolução pela medicina veterinária no diagnóstico e tratamento de distúrbios do aparelho locomotor.

    Em humanos, os métodos de fisioterapia e exercícios terapêuticos são parte integrante do processo pós-operatório, bem como no tratamento de pacientes que sofram de distúrbios ortopédicos e neurológicos.

    Na década de 70 as terapêuticas da fisioterapia foram aplicadas na medicina veterinária em clínica de animais de grande porte, como equinos, evoluindo para animais de companhia na década de 90.

    O que é a Fisioterapia e quais os seus benefícios?

    A Fisioterapia corresponde a uma estimulação no tratamento de alterações das funções fisiológicas com envolvimento de técnicas não invasivas: mecânicas (mobilização, alongamentos, exercícios e massagens), e físicas (calor, frio, corrente eléctrica e ultra-sons). A Fisioterapia contribui activamente para:

    1] O combate da dor (melhora o bem-estar do animal e evitando estados de prostração, imunosupressão, inanição ou até mesmo de caquexia);
    2] A redução da inflamação (acelerando a cicatrização e uso precoce dos membros);
    3] A melhoria da funcionalidade e qualidade dos movimentos;
    4] O aumento da força, da amplitude dos movimentos, da resistência e rendimento do animal, melhorando também a capacidade cardiorespiratória;
    5] A estimulação da função muscular, nervosa e articular;
    6] A aceleração da recuperação;
    7] A melhoria da qualidade e esperança de vida;
    8] A menor necessidade de medicamentos anti-inflamatórios;
    9] Implicações psicológicas do dono e do animal;
    10] A redução dos gastos do dono.

    Quando se deve aplicar a Fisioterapia nos pacientes animais?

    1]Numa recuperação pós-cirúrgica ortopédica e/ou neurológica;
    2] Em caso de lesões músculo-esqueléticas como tendinites, bursites, mobilidade diminuída, debilidade muscular, etc;
    3] Em lesões discais, dor e paresia;
    4] Em anomalias de marcha, como claudicações ou assimetrias;
    5] Em lesões nas articulações como contracturas ou artrite;
    6] Em cicatrização de feridas;
    7] No controlo de dor;
    8] Em edemas e problemas circulatórios;
    9] Nos problemas de rendimento de atletas caninos;
    10] Em complicações cardiorespiratórias;
    11] No controlo da perda de peso.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Massagem

    A massagem é uma terapia não invasiva, de fácil aplicação que consiste numa manipulação suave e profunda da pele e dos músculos durante um determinado período de tempo.

    Ajuda o animal a relaxar, a reduzir a tensão muscular e a dor, permitindo uma maior colaboração e eficiência do animal nos exercícios posteriores. Melhora a circulação linfática e venosa, facilita a eliminação de resíduos metabólicos e de aderências que se formam entre os tecidos melhorando a amplitude dos movimentos. Acelera a recuperação muscular, facilita a estimulação do sistema nervoso e melhora também o vínculo entre o animal e o seu dono.

    A massagem inicial deve ser suave, superficial e lenta, de modo a acalmar o animal e a relaxar os seus músculos, melhorando assim a circulação e drenagem linfática, principalmente em animais com edemas. A força aplicada pode ir aumentando, passando gradualmente a massagem profunda.

    Existem vários tipos de massagens, tais como: Golpes (pequenos batimentos superficiais no sentido do crescimento do pêlo), Amassamento, Fricção (ajudando a eliminar aderências e toxinas), Pressão circular (nós dos dedos em movimento circular), Agitação (para melhor relaxamento dos músculos) e Percussão (pequenos golpes nos músculos com a palma ou a borda da mão).

    O animal deve estar numa posição confortável, num ambiente calmo e numa superfície suave. O terapeuta também deve transmitir calma, apresentando-se relaxado e tranquilo. Em caso de existência de edemas, a região a ser tratada deve ser elevada acima do nível do coração para que a gravidade promova a drenagem linfática. As sessões devem ter uma duração média de 20 minutos, repetindo-se 2 a 3 vezes por dia.

    As massagens estão contra-indicadas em zonas com inflamações locais da pele, infecções locais, tumores, febre, transtornos hemorrágicos e descompensação cardíaca.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Termoterapia

    Corresponde à aplicação de uma fonte de calor na zona lesionada. O aquecimento superficial provoca vasodilatação, favorecendo o aumento do fluxo sanguíneo e da velocidade de condução dos impulsos, relaxamento muscular, alívio da dor, aumento da extensibilidade e flexibilidade dos tecidos fibrosos.

    A termoterapia é usada principalmente para tratar doenças degenerativas crónicas (artrite crónica, espondilose) e como forma de aquecimento antes dos exercícios activos e passivos ou da massagem (preparando os ligamentos, tendões e músculos). Não deve ser aplicada na fase inflamatória do processo de cicatrização (nas primeiras 48 horas após a lesão ou cirurgia).

    Como fontes de calor podem ser utilizadas bolsas de água quente, sacos de cereais, bolsas de gel (aquecidas no microondas) ou lâmpadas de calor por infravermelhos. As fontes de calor não devem estar em contacto directo com a pele, devendo utilizar-se um pano por cima desta para prevenção de queimaduras.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Crioterapia

    O frio provoca vasoconstrição, reduzindo o fluxo sanguíneo na zona afectada e consequentemente diminuindo a dor e a inflamação, nomeadamente no pós-operatório (primeiras 48h) ou lesões agudas (como tendinites ou artrites). Também reduz os edemas e os espasmos musculares, provoca alguma analgesia devido à capacidade de redução da velocidade de condução dos impulsos nervosos.

    A aplicação do frio pode ser feita através de cubos de gelo num saco ou num pano, sobre a zona afectada, bolsas de frio ou, em alternativa, um saco de legumes congelados, sempre com um pano a cobrir a pele para evitar queimaduras.

    Esta terapia está contra-indicada em casos de hipersensibilidade ao frio, problemas circulatórios, feridas abertas e parestesias (alterações na sensibilidade).

    A duração média do tratamento é de 20 minutos e deve ser feito várias vezes ao dia ou imediatamente após o exercício.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Exercícios terapêuticos passivos

    São exercícios que ajudam a melhorar a flexão e extensão das articulações, a flexibilidade dos músculos, tendões e ligamentos. Promovem o aumento da massa e força muscular e diminuem a probabilidade de claudicações e outras lesões.

    É fundamental que o animal se sinta cómodo. Os exercícios devem ser calmos e controlados, repetitivos (10 a 20 vezes por dia), com movimento constante e amplitude de flexão e extensão confortável.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Exercícios terapêuticos activos

    As actividades mais comuns de exercícios terapêuticos activos incluem passeios lentos à trela, marcha sobre passadeira rolante, exercícios simulando um carrinho de mão, dança, exercícios de sentar e levantar, subir e descer escadas, caminhar sobre os cavaletti rails, marcha com transposição de obstáculos, movimentos em círculos, espirais ou em forma de "oito"; jogos e exercícios com bolas de ginástica, métodos de encorajamento de suporte de peso e exercícios para melhorar o equilíbrio e a coordenação através de pranchas de equilíbrio.

    Estes exercícios melhoram a força muscular, a resistência, a função cardiovascular, a coordenação, o equilíbrio, a amplitude de movimento e a funcionalidade do membro. Desta forma, permite reduzir a rigidez articular e a atrofia muscular, diminui a situações de claudicação, evita o excesso de peso e previne o agravamento da lesão ou o desenvolvimento das mesmas.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Estimulação eléctrica neuromuscular

    Consiste na aplicação de baixos níveis de corrente eléctrica no músculo ou em determinado tecido através da estimulação de um nervo intacto. Contribuindo para o controlo da dor aguda ou crónica devido a transtornos locomotores e neurológicos (artrite, espondilose, cirurgia ortopédica - recessão da cabeça do fémur, correcção de luxações da rótula, TPLO - e neurológica - correcção de hérnias discais), acelerar a cicatrização dos tecidos em pacientes com fracturas, fortalecimento dos músculos e evita a atrofia muscular por desuso.

    As sessões duram entre 15 a 20 minutos, sendo necessária repetição 3 a 5 vezes por semana. A estimulação eléctrica requer uma habituação por parte do paciente podendo haver necessidade de realizar sessões iniciais mais curtas.

    Esta está contra-indicada em zonas tumorais, infecciosas, inflamações agudas e ainda anestesiadas.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Hidroterapia

    A Hidroterapia é o melhor método de fortalecimento muscular, aumento da mobilidade e melhoria da condição corporal, realizando-se num ambiente onde praticamente não há suporte de peso, reduzindo-se o efeito lesivo deste sobre os membros afectados. Deste modo, o grau de dor é diminuto e a recuperação mais rápida.

    A água quente aumenta o fluxo sanguíneo nas articulações, músculos e tecido ósseo, acelerando a cicatrização e a recuperação da função normal. Deste modo, permitem uma melhoria da força, da resistência, do desempenho cardiovascular, da amplitude dos movimentos, da agilidade, do equilíbrio e da propriocepção, sem aumento da dor pelo suporte excessivo de peso.

    Todos os pacientes beneficiam desta modalidade, em especial os animais de raças grandes e gigantes, os animais geriátricos e os que apresentam excesso de peso. A temperatura da água deverá oscilar entre 26ºC e 29ºC. Temperaturas superiores ou inferiores poderão afectar a função cardiorespiratória e músculo-esquelética.

    Com a introdução de exercícios subaquáticos, nomeadamente natação e exercícios passivos, é possível diminuir o tempo de recuperação de uma cirurgia de resolução de rotura de ligamentos cruzados de 6 para 2 meses, além de reduzir a probabilidade de complicações pós-cirúrgicas e diminuir o risco de rotura de ligamentos no membro contralateral por sobrecarga de peso.

    Estas sessões vão aumentando a sua duração conforme a melhoria da condição física.

    Tipos e Modalidades de Fisioterapia - Envolvimento do dono

    O sucesso da Fisioterapia depende fortemente do envolvimento do dono do paciente. Há variadíssimas técnicas terapêuticas que podem ser aplicadas em casa, como por exemplo massagens, termoterapia, crioterapia, exercícios passivos de movimentos e alguns activos e estimulação eléctrica neuromuscular.

    Os passeios diários com trela, lentos também fazem parte de alguns procedimentos iniciais da reabilitação do animal.

    Uma mais-valia do tratamento em casa é o animal encontrar-se no seu ambiente rodeado pela sua família. Ali pode receber uma maior confiança em si mesmo através do apoio e carinho sentido, e assim recuperar mais rapidamente.

    É importante haver uma conversa entre dono e médico veterinário para evitar falsas expectativas, conhecer um plano adequado de tratamento e saber qual o prognóstico esperado para o período de tratamento. Um dono activo no tratamento em casa e o apoio da equipa médica nas consultas irão melhorar o resultado final.

    Nos pacientes com doenças crónicas é absolutamente necessário que o dono esteja ciente que o tratamento é longo e a observação de resultados pode levar várias semanas, ou até meses. Em doenças agudas poderão ser assistir-se a melhorias mais precoces.